A Freguesia da Pampilhosa é uma das mais populosas do Concelho de Mealhada, com cerca de 4.098 habitantes (Censos de 2011) e a vila da Pampilhosa é uma das localidades mais promissoras da Região da Bairrada. Tendo a Serra do Buçaco como pano de fundo, a Pampilhosa desenvolve-se em duas áreas distintas que espelham também distintas épocas de evolução desta comunidade.

A primeira referência toponímica data de 28 de Junho de 1117, e poderá vir do latim pampilium, que quer dizer flor amarela viva; ou de pâmpano, rebento de videira, ou de pampilho, vara comprida que termina em agulhão.

A "notícia" mais antiga de que há memória regista uma doação feita por Gonçalo Randulfes e seu filho Telo Gonçalves, Senhores da "Villa Rústica" da Pampilhosa ao Abade Eusébio, do Mosteiro de Lorvão, no ano de 1117. A reforçar esta "notícia" podemos observar ainda hoje o edifício conhecido por "Casa Rural Quinhentista" e os celeiros que foram propriedade do referido Mosteiro de Lorvão.

Nestes celeiros eram guardadas as rendas dos foros cobrados à população local pela ocupação e usufruto das casas e terrenos de que o Mosteiro era possuidor. As fontes históricas revelam que a "casa rural" era a que mais azeite arrecadava no espaço compreendido entre os rios Vouga e Mondego. A dependência da Pampilhosa em relação ao Mosteiro de  Lorvão vai manter-se por longos anos, séculos mesmo, uma vez que o fim desta submissão só acontecerá no século XIX com a extinção das ordens Religiosas, em todo o país, no ano de 1834. A data de 1557 significou para os habitantes da Pampilhosa o ano em que o Bispo de Coimbra, D. João Soares, entregou a Igreja Paroquial que se encontrava como anexa da Igreja da Vacariça, ao Colégio da Graça da cidade de Coimbra.

A integração da Freguesia da Pampilhosa no Concelho de Mealhada vai acontecer no ano de 1853, pelo Decreto de 31 de Dezembro, que impôs alterações nas áreas administrativas até então definidas, sendo esta localidade uma das menos povoadas. O desenvolvimento desta Freguesia que se orgulha do estatuto de "Vila Urbana", desde o ano de 1985, tem duas causas, dois pilares estruturantes, são eles: o estabelecimento do "nó ferroviário" com o início da construção da Linha da Beira Alta em 1879 e o dinamismo empreendedor das suas gentes. Os habitantes da Pampilhosa ouviram o silvo do primeiro comboio que fazia o percurso Lisboa-Porto, decorria o mês de Abril do ano de 1864, no entanto, só se iniciará a construção da estação ferroviária no ano de 1879.

Neste mesmo ano de 1879, iniciam-se os trabalhos de construção da Linha da Beira Alta, que ligaria a Pampilhosa a Vilar Formoso. No ano seguinte, Abril de 1880, rasgam-se os primeiros terrenos por onde irá ser traçado o ramal de ligação ferroviária á Figueira da Foz.

Desta forma completar-se-á esta espantosa via de comunicação desde o mar Atlântico, que banha as douradas areias da Figueira da Foz até à fronteira com a vizinha Espanha, tendo à Pampilhosa "saído em sorte" o papel de ligação e de espaço de encontro entre os que chegam e os que partem. As facilidades de transporte permitidas pelo comboio tornam a Pampilhosa um verdadeiro polo de atração para os investidores, para os empresários e consequentemente para todos aqueles que procuram melhores condições de vida, que almejam a libertação dos campos de cultivo.

É ainda na centúria de oitocentos, mais precisamente no ano de 1886, que se instala a primeira de várias indústrias cerâmicas, de reconhecida qualidade, que aqui se vão sediar.

O crescimento populacional, económico e mesmo o enriquecimento cultural desta Freguesia foi proporcional à prosperidade que se fazia sentir nessas unidades fabris durante toda a primeira metade do nosso século XX.

O afluxo populacional à Pampilhosa e o aumento demográfico que se registou nesta Freguesia explicam em grande parte o forte crescimento do parque habitacional da mesma.

Curiosa é a forma desse crescimento, na medida em que os operários e empresários ligados às Cerâmicas, ao Caminho-de-Ferro ou às empresas de madeiras, não se misturaram com os habitantes da zona mais antiga, "a Pampilhosa Alta", tendo preferido construir nos terrenos mais baixos que ladeavam os trilhos do comboio.

Os elementos inventariados como de interesse patrimonial desta Freguesia da Pampilhosa refletem nitidamente este percurso histórico, através das fontes situadas em profundo ambiente agrícola ou já em ambiente mais urbanizado, como é exemplo a Fonte do Garoto, carinhosamente trabalhada pelo Mestre Teixeira Lopes.

Há uma característica que identifica a grande maioria dos habitantes da Pampilhosa: o profundo amor à sua terra natal, percetível no imenso orgulho com que a ela sempre se referem.

Este sentimento explica o surgimento de Grupos e Associações locais que têm como lema a defesa intransigente de tudo aquilo que é tradição, cultura e património da Freguesia da Pampilhosa.

No fundo, o que estas associações pretendem é a perpetuação de uma memória coletiva que confere uma identidade bastante peculiar a esta Freguesia do Concelho de Mealhada.

Pampilhosa foi elevada à categoria de Vila a 9 de julho de 1985, estando geminada com a Comuna de Courcoury (França) desde o dia 14 de junho de 1991.

Existiu na Vila, na Rua da República, uma palmeira que era considerada a segunda maior da Europa, "ex-libris" da Pampilhosa e do seu património. Recentemente foi fustigada pelo escaravelho-vermelho (Rhynchophorus ferrugineus), o que originou o seu abate.

A primeira referência ao lugar do Canedo data do século XIV, quando a abadessa de Lorvão Constança Soares concede as suas terras, com as da Ribeira, para que os moradores dos casais de Pampilhosa as arroteiem... Com o estabelecimento da Casa de Aveiro nesta região, no século XVI, as terras do Canedo ficam a pertencer-lhe. Os seus moradores pagavam rendas nos finais do século XVIII por terem sido foreiros da Casa de Aveiro. A industrialização do século passado e as atividades ligadas ao comboio determinaram também a expansão do lugar, a partir da segunda metade do século. Muitos dos seus habitantes passaram a buscar trabalho nestes novos sectores.

O lugar provavelmente pertence desde sempre à igreja da Pampilhosa, por isso a capela do Canedo pertenceu também aos religiosos da Graça de Coimbra. Já no século XVII o seu orago era o São Lourenço e no século XVIII se fazia a sua festa.

In: «Pampilhosa oito séculos de historia» de Maria Alegria Fernandes Marques Pampilhosa oito séculos de historia