Cerâmicas da PampilhosaCerâmicas da PampilhosaCerâmicas da Pampilhosa

Nos finais do século XIX, a Pampilhosa do Botão, povoação modesta e eminentemente rural, passa a sofrer grandes transformações como consequência da construção da Linha do Caminho-de-ferro da Beira Alta, em 1880, que partindo da Figueira da Foz, pretendia atingir a fronteira de Vilar Formoso, fazendo a ligação com a Europa. Na Pampilhosa encontrava-se esta linha com a do Norte, que partia de Lisboa com destino ao Porto, formando um entroncamento nesta localidade. Aqui se formou um novo núcleo populacional, o Entroncamento, pertencente à freguesia de Pampilhosa do Botão.

Estas linhas, percorrendo os campos baixos da Pampilhosa, atravessavam "os barrios" da Bairrada, barro vermelho que formava grandes barreiros, a despertar a atenção dos industriais. Matéria - prima, transportes e ligação aos mercados, davam azo ao surgir de uma indústria que viria a transformar esta terra num dos maiores centros industriais de toda a região.

Do Norte, mais propriamente de Vila Nova de Gaia vieram técnicos de cerâmica que fundaram aqui as suas empresas. Em 1866, António Almeida e Costa, empresário inteligente e dinâmico abre na Pampilhosa, a Filial da Cerâmica das Devesas de Vila Nova de Gaia e que foi a primeira grande unidade cerâmica a ser construída nesta localidade. Daí o ser conhecida por "Fábrica Velha".

Em 1902 funda-se a "Fábrica Teixeira" - Fábrica de Cerâmica Mourão, Teixeira Lopes", onde convém destacar José Joaquim Teixeira Lopes, oriundo também de Vila Nova de Gaia e que em França aprendeu os segredos do fabrico da telha marselhesa, que tanto êxito viria a alcançar no nosso país. Esta família Teixeira Lopes que tanto se notabilizou na cerâmica começou na Pampilhosa como obreira na unidade de cerâmica Fábrica Velha.

Em 1903 entra em laboração a "Fábrica Navarro", Cerâmica Excelsior da Pampilhosa, com a particularidade de ser a 1ª cerâmica a ser fundada por um pampilhosense: Abel Godinho, formado em Farmácia pela Universidade de Coimbra em 1883 e proprietário da Farmácia existente na localidade.

Abel Godinho, fundou a cerâmica, de parceria com o Engenheiro Ernesto Navarro, natural da região, mais propriamente da povoação do Luso. Ernesto Navarro fora uma das figuras proeminentes na política de então. Além de Ministro do Comércio fora director dos Caminhos-de-ferro do Estado e Subdirector Geral do Ministério das Colónias. Daí o chamar-se à Cerâmica Excelsior, a" Fábrica Navarro".

Da indústria de cerâmica se passou a outras e de tal maneira o progresso industrial se acentuou que na década de vinte se encontravam instaladas na Pampilhosa, três grandes fábricas de cerâmica, quinze fomos de cal, quatro importantes fábricas de serração, carpintarias, moagem, uma fábrica de resina, outra de produtos químicos, para além de oficinas de repicagem de limas e de fundição de metais, como também amplos armazéns de sarro, borras de vinho e adubos.

Como se vê, o Caminho-de-ferro atraiu a indústria e esta por sua vez alterou toda a organização existente.

Verificou-se um enorme afluxo populacional, com um apreciável número de trabalhadores ligado às ferrovias e ao ramo industrial e daí o aparecimento de um novo núcleo populacional, junto à Estação dos Caminhos-de-ferro, designado por Entroncamento.

 

 

A industrialização da Pampilhosa

Na escolha geográfica de instalação de industrias pesam diversos factores que são imprescindiveis para a sua laboração. Entre estes, salientam-se os recursos naturais (materias-primas, água, combustiveis e energia), os meios de transporte, o mercado e os factores humanos e sociais.

Deste modo, a existencia de matérias-primas condiciona a existência de industrias. Na Pampilhosa este factor contribui grandemente para a instalação de industrias de ceramica, de produtos resinosos e de serrações. As primeiras dispinham de barreiros naturais, localizados a mais ou menos 200 metros das principais fábricas de cerâmica, a saber: Fabrica Progresso (antiga fabrica de Cerâmica da Pampilhosa Mourão Teixeira Lopes & Comp.ª); Fabrica das Devesas, filial de António Almeida e Costa & C.ª e Fabrica Navarro- Cerâmica Excelsior da Pampilhosa, de Lacerda e Figueiredo Lda.. á fabrica de produtos resinisos e ás serrações estava associada a exploração florestal que lhes fornecia respectivamente gema de pinheiro e madeira. Porém a existencia de matéria-prima por si so não é uma causa directa da instalação e desenvolvimento da industria. O meio de escoamento dos produtos condiciona-o sobremaneira. A abertura da Estrada Real nº 10 até á Mealhada, em 1855, e a construção da via-férrea no ano seguinte complementou esta situação, nomeadamente com a inauguração da Linha da Beira Alta, o que fez com que a Pampilhosa passasse a ser um importante nó de ligação entre a Linha do Norte e a Beira Alta em 1979 e do ramal Pampilhosa- Figueira da Foz. A abertura da linha fez com que os grandes mercados se aproximassem. Por isso, o escoamento da produção tinha como principais destinos o Porto, Lisboa, Coimbra e Figueira da Foz.

Num meio rural como a Pampilhosa, não faltava a mão-de-obra. A actividade industrial era complementada com a agrícola e a decadência das industrias tradicionais levava a que grande parte desse artesãos procurasse as fabricas como sustento. Para além da mão-de-obra local, houve uma migração de operários das zonas envolventes, que aqui se dirigiam em busca de melhores condições de trabalho e de vida. Os técnicos vieram sobretudo do Porto já que, tanto a Fábrica das Devesas como a Progresso, estiveram, na sua origem, ligadas á familia Teixeira Lopes e á sua escola artistica. Podemos ainda acrescentar a elevada percentagem de trabalhadores menores e de mulheres.

Portanto no caso da Pampilhosa, a conjugação de vários factores criou um contexto favorável para o desenvolvimento da industria, que conduziu á criação das seguintes fabricas: Companhia Cerâmica das Devezas, filial de António Almeida e Costa & Cª., em 1886; Fábrica Cerâmica da Pampilhosa Mourão Teixeira Lopes & Cª., em 1902; Fabrica Navarro- Lacerda Figueiredo & Cª. Lda., denominada Cerâmica Excelsior da Pampilhosa, em 1903; Fábrica de Produtos Quimicos e Resinosos, em 1923.

Companhia Cerâmica das Devesas, filial de António de Almeida e Costa & Cª.

Em 1886, é inaugurada na Pampilhosa a filial da Companhia Cerâmica da Devesas, sediada em Vila Nova de Gaia. A data provavél de fundação da sede é 1865 e teve como fundadores António Almeida da Costa e José Joaquim Teixeira Lopes (pai do escultor António Teixeira Lopes). Este ultimo foi desde sempre atribuida a responsabilidade artística e áquele ímpeto industrial, tanto que a fabrica foi sempre conhecida como fabrica do Costa. No entanto, os dois complementaram-se bem. A fabrica de Vila nova de Gaia teve uma importância primordial no panorama industrial português e desenvolveu-se rapidamente, tanto que de 210 operários em 1881 passa para 700 em 1889. Igualmente a evidenciar este engrandecimento da fábrica surge a filial na Pampilhosa, designada pela população por "fabrica velha" por ser a mais antiga, que logo em 1901 sofre alterações, tendo sido enriquecida com depósito e mostruário com secção de vendas. Isto sucedeu provavelmente como reacção á instalação da fabrica Mourão Teixeira Lopes & C.ª, fundada pelos antigos administradores da filial da Devesas.A fábrica da Devesas soube fundir admiravelmente a arte e a industria, produzindo todo tipo de cerâmica: para construção, decoração, saneamento, produtos de grés e estuque, trabalhos em ferro fundido e forjado, estatuária…No caso específico da Pampilhosa, não eram produzidos todos estes produtos, mas sim produtos feitos á base de cerâmica vermelha, refractária e grés, nomeadamente de construção. A José Joaquim Teixeira Lopes se ficou a dever a introdução da telha marselha, cujo uso se difundiu no país. Eram produzidas mais ou menos 5 mil telhas e 15 mil tijolos por hora. A priximidade dos barreiros e a abundância de matéria-prima contribuíam para este desenvolvimento. A proximidade do caminho-de-ferro, tanto na fábrica de Gaia como na Pampilhosa, não era aleatória. O escoamneto dos produtos e o transporte de matérias-primas era feito através deste meio de tranporte.

Por volta de 1903 surgem dois novos administradores na fábrica devido á saída de José Joaquim Teixeira Lopes e do sócio comercial de António Almeida da Costa, Feliciano Rodrigues da Rocha. Em 1913 parte da fábrica é consumida pelo fogo e António Almeida da Costa morre em 1915, o que acentua a decadência do complexo fabril. Os novos administradores foram incapazes de reverter este processo e a fábrica acabou por fechar.
Só na década de 20 é que a fábrica tomou novo fôlego com a administração de Raúl Mendes de Carvalho. Na filial da Pampilhosa foi colocado o seu filho, Albero Mendes de Carvalho. Porem esta nova administração não tinha a capacidade de inovação de outrora, nomeadamente no que diz respeito á criação artistica. Permaneceu a produção de produtos utilitários de grés, a telha e o tijolo (sobretudo o refractário, aplicado á industria) e algum azulejo. Nesta época, a Companhia vai previligiar a filial da Pampilhosa, pois a produção sempre fora mais barata e era um excelente local de recolha de barro. Produzia telha e tijolo, acessórios para telha, tijolos refractários, canalizações e artigos sanitários em grés. Alguma maquinaria foi transferida para aqui, o forno contínuo era muito utilizado e foram adquiridas nova máquinas nas décadas de 40 e 50. Na filial da Pampilhosa, na década de 40, exerciam aqui funções cerca de 150 trabalhadores. Na fase final, mais ou menos 50. A introdução de maquinaria (italiana e nacinal, provenientes da metalurgica Costa Néry de Torres Novas) fez com que no final se produzisse mais, embora houvesse menos trabalhadores. No topo da hierarquia estavam os directores, seguidos pelos escriturários (guarda livros).

Havia ainda os encarregados e os operários.
Em 1974 surge um projecto de ampliação e alongamento do forno contínuo de chama móvel tipo Hoffmann, assim como para instalação de secagem artificial. Na memória descritiva deste projecto aparece a descrição do prcesso de fabrico que a suguir se transcreve. Os barros, retirados dos próprios barreiros da fábrica, depois de descarregados passavam para um desterroador, caindo num transpotador que os levava a um laminador donde vão para um remolhador. Depois deste tratamento, que é chamado "prélaboração", os barros são conduzidos por meio de dois tranportadores para uma zona de armazem anexa, onde são espalhados e armazenados, tarefa esta designada de "ensilagem". Depois das semanas de repouso, são retomados com uma pá carregadora de pneus até á bateria de produção, onde são descarregados no doseador linear. Do doseador estes lotes de barro passam a um remolhador-amassador, a um laminador e entram na fieira, onde depois de passarem por grelhas, são submetidos á acção de vácuo, saindo depois pelo bocal que molda o filão no formato desejado. O filão é então cortado na respectiva mesa de corte. Depois de secos, os produtos são levados macânicamente para o forno e arrumados no seu interior ("enforma"). Após os produtos estarem cozidos, são tranportados para o parque ("desenforma"). Apesar deste novo fôlego, a fábrica acabou por encerrar na década de 80, por volta de 1985-86.

Fábrica Cerâmica da Pampilhosa Mourão Teixeira Lopes & Cª.

Em 1901, surgiu nova fábrica na Pampilhosa, a "Mourão Teixeira Lopes & Cª.", que em 1971 foi vendida a José de Gouveia Monteiro, António Henrique de Elias Nunes Vicente e Luiz Fernades dos Santos, passando a designar-se Cerâmica Progresso da Pampilhosa, Lda., nome porque ainde hoje é conhecida. Dedicava-se também ao fabrico de produtos de cerâmica de construção com telha, tijolo, peças para saneamento, acessórios para telhado... A matéria-prima utilizada era o barro vermelho, retirado dos próprios barreiros da empresa, de óptima qualidade, resistentes ao gelo, com percentagens de absorção da água de 7% nos diferentes tipos de telha, ensaio de flexão (força de rotura de cerca de 200 a 270 Kgf), impermeabilidade e inexistência de eflorescências. Consumiam cerca de 120 toneladas de barro por dia.

Segundo a Escritura de 1971, o complexo industrial era constituido por "Prédio composto de edificio fabril com tres pavimentos, escritório e duas casas de habitação, posto de transformação de energia eléctrica, edificio com forno de vidragem e tres telheiros destinados á exploração da matéria cerâmica". Possuíam um forno contínuo tipo Zig-Zag ou tipo H, cujo combustivel era composto por desperdícios vegetais (casca e serradura). Em 1905, dispunha já de energia eléctrica, visto possuir "um dínamo de 50 ampéres, sistema Bergmann, para iluminar as oficinas de Inverno quando tinham de prolongar um pouco a trabalho pela noite dentro, ou quando um dia muito nublado a iluminação diurna não for suficiente". Este sistema eléctrico permitiu fornecer energia para o caminho-de-ferro a para a própria população da Pampilhosa durante a I Grande Guerra e grande parte da década de 20.

A abundante maquinaria que possuía permitia ter um número de trabalhadores baixo. Totalizavam 100 em 1905 e 69 em 1911.
Em 1971, possuíam cerca de 50 operários do sexo masculino e 4 do sexo feminino. Com esta fábrica houve um alargamento de mercados, pois começaram a exportar para a Madeira e antigas colónias portuguesas.

A fabrica fechou nos inícios da década de 90. Em 1994. a EDP cortou o fornecimento de energia eléctrica.

Fábrica Navarro- Lacerda Figueiredo &Cº. Lda

Em 1903 é instalada nova fábrica de cerâmica de construção designada de Sociedade "Lacerda FigueiredoCª. Lda.", com a denominação " Cerâmica Excelsior da Pampilhosa". Os sócios fundadores foram Alberto Guilherme de Lacerda, Francisco Lebre de Vasconcelos, José Duarte de Figueiredo, Abel Godinho Lopes Carreira e Ernesto Júlio Navarro filho de Emídio Navarro, muito ligado ao Luso e figura política proeminente de então, pois exerceu cargos como director dos caminhos-de –ferro, subdirector geral do Ministério das Colónias e ministro do Comércio e da Agricultura. A este se ficou a dever o nome corrente do empreedimento, denominado "Fábrica Navarro". O seu objectivo principal consistia na exploração da industria cerâmica e designadamente o fabrico e venda de telha e tijolo, artigos de grés, azulejos e ladrilhos. Em 1911, tinha 117 operários e era já bastante mecanizada. Vendiam para os Açores e para Africa, par além do mercado continental encabeçando pela Beira Alta.

Grande parte da produção era composta por telha, lusa e marselha, e tijolo maciço. O barro da Pampilhosa é muito puro, gorduroso e pouco poroso, mas mau para quem o trabalha porque contraía 7% e abria gretas facilmente (cerca de 25% da produção abria gretas). Tinha 60/70 oprerários e produziam 25 toneladas por dia. As maquinas vinham da metalúrgica Costa Nery de Torres Novas. O barro seguia várias etapas desde que saía dos barreiros.

Havia um teleférico que transportava o barro dos barreiros para a fábrica. Aqui seguiam as seguintes etapas de produção: destorroador, laminador, amassador e fieira de vácuo (esta máquina tirava a água do barro que ficava práticamente seco, a inserção deste sistema revoluvionou a industria de cerâmica). Tinham um armazém, onde guardavam o barro para o inverno, pois nesta estação a chuva alagava frequentemente os barreiros, tornando impossivel a sua extracção. Antes da introdução da fieira de vácuo, os objectos eram colocados em tabuleiros de madeira (ganapos) para secar. Em seguida, construíram estufas de secagem, onde entrava produto verde e saía seco, mas devido ás propriedades do barro da Pamplhosa, este demorava muito a secar. Em relação ao transporte e distribuição da produção, até 1960 utilizou-se o comboio, já que a fábrica possuia um ramal próprio. Depois começaram a utilizar transportes rodoviários que eram eficazes, pois partiam menos carga e eram mais directos. O grosso da produção seguia para o norte.

Em 1960 existiam entre 60 a 80 trabalhadores. No topo da hierarquia estavam os gerentes, seguidos pelos encarregados de fabricação. Havia ainda o contablista, o capataz e depois os operários: Prensadores, forneiros, desenformadores e enfornadores, os que transportavam os carrinhos-de-mão e os escolhedores (escolhiam as melhores peças através do toque). O pessoal indiferenciado ocupava o escalão mais baixo, onde se incluíam as mulheres. Antes de ser instalado o teleférico, eram estas que transportavam o barro em vagonetes através de um viaduto que passava por baixo da estrada. Aqui trabalhavam oito mulheres.

Fábrica das Resinas e Produtos Químicos

Num artigo do jornal A Defesa, datado de 27 de Dezembro de 1923, pode ler-se o seguite título: "Inauguração da Fábrica da Resinas e Produtos Quimicos". O evento rodeou-se de grande importância, visto a fábrica ser "a segunda, no género do país". A vinda á Pampilhosa de membros do governo da Républica testemunha essa importância. Estiveram presentes na inauguração o "Ministro do Comércio Dr. Pedro Pita, acompanhado pelos seus chefes de gabinete, e o Director da Imprensa Nacional, o Sr. Luís Doruet". Também são referidos neste artigo os produtos resultantes da nova industría: o alcatrão, a terebentina, a aguarrás, o acetato de cal, o carvão e outros " até hoje não produzidos em Portugal". De facto, numa carta da fábrica de 17 de Setembro de 1941 é referido que "as nossas destilarias se encontram aptas a fornecer alcatrão vegetal(…)e é a única que produz alcatrão puro". Os sócios fundadores foram Manuel Joaquim Botica Junior e Júlio Martins, moradores em Lisboa, onde se situava a sede da Companhia.

A matéria-prima necessária ao estabelicimento deste tipo de industria é a madeira e a resina, algo que é abundante na região. A resina extraída dos pinheiros tem o nome industrial de gema. Através da destilação da gema produzem-se os seguintes produtos industriais: a essência de terebentina ou aguarrás, pez louro ou breu. A destilação de gema pode efectuar-se através de fogo directo ou a vapor. A primeira hipótese era a utilizada nesta fábrica. A próximidade do caminho-de-ferro não foi alheia, mais uma vez, á instalação da indústria, dado que as mercadorias eram despachadas pelo comboio e eram entregues no destinatário com a apresentação de senhas da CP ou de avisos de chegada.

A maior parte da produção era destinada á exportação.
Através de documentação recolhida no local, sabemos que havia contactos com a Áustria, EUA, França e com as antiga colónias do Império Colonial Português.

A 24 de Março de 1945, foi publicado, no jornal Bairrada Elegante, uma reforma do pacto social desta indústria. A sociedade por cotas Destilarias e Industrias Florestais Limitada, abreviadamente "Disflor", continua com a mesma denominação e, segundo o art. 2º, "o seu objecto são as industrias de destilação de lenhas, gemas, resinas e outras matérias-primas, produtos quimicos, tintas e serração de madeiras". O capital social estava dividido por 10 sócios, todos eles gerentes, competindo á Assembleia Geral designar entre eles um gerente-delegado. A partir da década de 40 do século XX a fábrica acumulou assim outras actividades como serreção de madeiras e carpintaria mecânica. O documento mais recente data de 1957 e o seu encerramento terá ocorrido pelo final desta década.