Cine-Teatro da Pampilhosa

O caminho-de-ferro contribuiu indubitavelmente para o progresso da Pampilhosa. A construção da linha da Beira Alta – Figueira da Foz / Vilar Formoso – com o entroncamento ferroviário em Pampilhosa, permitiu um surto de desenvolvimento de grande importância. Foram as fábricas de cerâmica e outras indústrias e armazéns que se instalaram nas proximidades do caminho-de-ferro. Foi a fixação de pessoas que vindas de outras terras, por aqui ficaram. E nesse aspecto, as gentes de Pampilhosa souberam ser acolhedoras. A comunidade soube abrir-se e aceitar todos aqueles que, por bem, se integravam plenamente. A prová-lo são os exemplos numerosos e flagrantes dados por aqueles que, vindos de fora, independentemente de aqui ficarem ou não, muito de si deram a esta terra. Ainda hoje se pode testemunhar as muitas, e diversificadas origens das actuais famílias Pampilhosenses. Praticamente de todo o pais, com mais incidência dos lugares próximos, da região serrana do Bussaco e do Baixo Mondego.

Todas estas pessoas vieram dar um contributo para uma evolução cultural e lógica miscigenação. Os industriais vieram em busca da matéria-prima: barro, pez e madeiras principalmente. Os ferroviários, esses conscientes que constituíam “um bom partido” com o seu razoável ordenado certo, por cá tentaram a sorte com as moças da terra.

A Pampilhosa era terra importante nesse tempo e as suas gentes eram tidas com muito respeito.

Talvez logo pelos começos da linha da Beira Alta, foi colocado na estação de Pampilhosa, um senhor de nome Lúcio de Oliveira e Silva que seria o chefe da estação A ele se deverá o aparecimento do teatro em Pampilhosa, e dele partiu a ideia da construção do teatro.

Joaquim da Cruz esse valoroso industrial e amigo desta terra, assim escreveu no jornal “ A Defesa” de 1 de Junho de 1924 «... Lúcio de Oliveira e Silva a alma mater do edifício que aí está e a quem se deve a ideia da sua edificação merece que a sua fotografia enfileire ao lado das que se encontram no salão, não só como dever de gratidão mas também como homenagem de artista e de caracter... A ideia partiu dele, nasceu dos improvisados teatros da cocheira das carruagens do caminho-de-ferro de da casa dos Vilanovas...»

Esta transcrição comprova que mesmo antes da construção do teatro, já essa arte era aqui representada. Os Vilanova tinham casa na Pampilhosa Alta mesmo junto à casa dos Melos, hoje a Casa Rural Quinhentista. Seria esta casa?