Estação de Caminhhos de FerroEm 1878, a população da Pampilhosa ouviria apenas passar os comboios lá ao fundo, pois a povoação distava cerca de um quilómetro das linhas e não havia aqui um apeadeiro sequer.

 

A verdadeira influência dos caminhos-de-ferro só se vem a sentir em Pampilhosa por volta de 1879, com o início da construção do caminho-de-ferro da Beira Alta a que se seguiu, em 1880, o começo da linha Pampilhosa – Figueira da Foz.

 

Em 1880 foi construída a estação da Pampilhosa num local então designado por “Entre Silveiras”, onde, até a essa altura só existia uma linha e que ficava a cerca de um quilómetro da então Pampilhosa. Ao encontrar aqui a linha da beira Alta com a linha do Norte foram construídos os diversos edifícios dos caminhos-de-ferro da Beira Alta: Estação, Gares, Depósito de Locomotivas e o ainda hoje chamado “Cais Local” para mercadorias.

 

Só nesta altura passou a estação da Pampilhosa a servir também a linha do Norte e os seus comboios a pararem aqui.Estação da CP

 

A Pampilhosa passou, então, a ser o ponto de escala dos comboios da linha do Norte e ponto obrigatório de paragem e até estadia de todos quantos do norte ou do Sul demandavam as terras da Beira (ou vice-versa). Com o início das ligações ferroviárias a Espanha, no final do século XIX (1895), a Pampilhosa passou igualmente a ser o ponto de passagem e paragem obrigatória para quantos, nacionais ou estrangeiros, preferiam utilizar o novo meio de transporte.

 

Este movimento grande de comboios, com passageiros e mercadorias, obrigou à instalação de um ponto alfandegário. Em 1890 já existia e era seu chefe Alfredo Galeão.

 

Foi este movimento que deu origem às duas hospedarias da terra, no início do século XX: o Chalé Suisse e o restaurante da estação, ainda hoje existente

 

 

 

Estação de Pampilhosa (18 de Maio de 1886)

 

O Príncipe D.Carlos aguarda a princesa D. Maria Amélia Luísa Helena, sua noiva.

 

" …Emparceirava em gostos e cultura com o augusto viajante, chefe da Casa de França, e até à Pampilhosa onde se faria uma paragem, conversaram de seus dilectos prazeres intelectuais. A estação afestoava-se de galas; entrelaçavam-se os ramos de flores e buxo; grinaldas de rosas vivas alegravam o espaço e esvoaçavam docemente as bandeiras dos dois países junto dos escudos com as iniciais dos nivos que também enfeitavam o trem real. A Princesa foi a primeira a descer e D. Carlos dirigiu-se ao seu encontro. Estava vestida de branco, com um chapéu azul; êle fardado e de cabeça descoberta, beijou-a na face ruborisada, ao som dos vivas, das palmas e do hino real tocado pelos músicos militares. O 9 de caçadores apresentava as armas e a condessa de Paris, nas suas sedas negras, desceu da carruagem, seguida pelo esposo, a saudarem o genro. Foram rápidas as apresentações na gare e logo continuou a marcha para Lisboa onde os Reis aguardavam sue filho e a escolhida de seu amor…"

 

Texto tirado de: Revista n.27 "Pampilhosa Uma Terra e um Povo"