Professor Guilherme Ferreira da SilvaNum tempo em que a cultura é vista por esta Autarquia como motor de desenvolvimento, a Junta de Freguesia de Pampilhosa evoca aqui uma das figuras cimeiras do panorama cultural que tendo nascido ainda no século XIX teve uma acção de tal modo marcante que se prolonga até aos nossos dias.

 

Nascido a 5 de Junho de 1890, Guilherme Ferreira da Silva era filho de António Ferreira Inácio, barbeiro sangrador, e de Maria José Silva “ descendente das mais ilustres famílias Pampilhosenses”.

 

Cursou o Magistério Primário em Coimbra por vontade própria, embora a família aspirasse para o jovem Guilherme a carreira de médico.

 

Dotado de grande inteligência, frequentava tertúlias no restaurante da estação em Pampilhosa com os grandes industriais da altura. Segundo informação dos seus descendentes deslocava-se frequentemente a Lisboa à “Livraria Portugal” onde se juntavam os grandes intelectuais da época, salientando-se Aquilino Ribeiro de quem era amigo. Era um republicano convicto, certamente destas deslocações resultou o seu vínculo a diversos jornais em que colaborava, Diário da Beira, Republica, Século e Diário de Coimbra.

 

Vem a casar com Maria do Céu Ferreira Fonseca, professora primária, natural de Celorico da Beira, matrimónio do qual nasceram duas filhas, Edite Ferreira da Silva e Maria José Ferreira da Silva.

 

De um profissionalismo invulgar aproveitava a sua acção enquanto professor para alargar consideravelmente os horizontes culturais das crianças da Pampilhosa.

 

Deve-se à sua acção de dinamizador cultural a educação no gosto pelas artes de toda uma geração de Pampilhosenses.

 

Integrou como flautista a Filarmónica Pampilhosense, associação de cuja direcção viria a presidir mais tarde.

 

Em parceria com o maestro Joaquim Pleno que musicava as obras, escrevia entremezes e pequenas peças de teatro que encenava envolvendo a população autóctone.

 

Ao senhor Professor Guilherme Ferreira da Silva se deve também a “importação” de um costume da época e que perdurou até aos nossos anos 80 do século XX, “Enterro do bacalhau”, que mobilizava toda a Pampilhosa Alta no cortejo em sábado de aleluia.

 

Funcionava em sua casa, na rua com o seu nome nº 24 uma extensão da Conservatória do registo civil.

 

Faleceu em 1966.

 

Partiu mas não morreu…

 

pois só morre quem não deixa obra!